sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Ano Novo Ambigrama/Ambigrama Ano Novo

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Merda pro seu próprio divertimento

As vezes tudo em que você acredita vira merda pro seu próprio divertimento, é tudo tão consistente e ao mesmo tempo flácido, divertido é jogar no ventilador e sentir todos os respingos banharem seu rosto em quanto você pula de alegria, como a menina vestida de abelhinha que vi em um certo clipe, sem nenhuma preocupação de ter que limpar tudo aquilo depois, a forma como os pingos riscam a parede é encantador, arte abstrata de orgânica contemporaneidade, é assustador a forma como todos se divertem tanto vendo tudo tão imundo, nos faz ate por um segundo esquecer de tudo o que de fato acreditamos.


Vivemos tanto tempo formando nossa própria opinião e lutando pra defender o que de fato a gente acredita, que esquecemos de acreditar no que de fato é real crer, pois vem alguém a tentar lhe mostrar que tudo o que você acredita e defende com tanto vigor é em vão, inútil credo, pior ainda é ver, em fatos, dados e exemplos cabais comprovações que toda essa sua fé no que crer foi em vão, pois tudo foi falso ate hoje, e você percebe que tudo foi como se você estivesse sentado a mesa tomando um chá com um chapeleiro, uma rã e uma lebre viciada em crak, no meio de uma floresta, cheirando loló e brincado com a voz inalando gás hélio, só pra deixar a lombra mais intensa, todos loucos de acido, colocados na bebida como mascara para realidade paralela em que vivemos, seria como de uma hora pra outra alguém viesse a você e provasse por “A + B” que você não existe, e você ter que rever todos os seus conceitos levantados lá na infância, É FODA!!, pior ainda, talvez seja, é ouvir milhões a sua volta gritando, em um único som de graves e agudos, “...IMBECIL, BABACA...”, e rindo pra deixar tudo mais interessante, é quando a maçã em suas mãos transforma-se em merda, quente e fresca, e a coisa mais divertida a se fazer é colocar-la em uma meia furada e rodar por toda a sala, pulando de alegria vestido de abelhinha bailarina, só pra deixar tudo mais interessante e mais ridículo, então tudo vira merda pro seu próprio divertimento. Podendo ate esquecer que terá que limpar tudo depois.


domingo, 19 de dezembro de 2010

Reblog: Os Ombros Suportam o Mundo de Carlos Drummond de Andrade (Retratode Camila blogspot)


Retirado do blogger: http://retratodecamila.blogspot.com/

Os Ombros Suportam o Mundo


Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
Carlos Drummond de Andrade

sábado, 18 de dezembro de 2010

Bolhas? Nenhuma em marte.


Estou em marte, nada vejo a minha volta alem de três oportunidades a minha frente, representadas como bolhas, uma maior que a outra, cada oportunidade representada em seu tamanho compatível com a capacidade de dar certo, porém por mais que tente mantê-las intactas, isso digo fazendo o possível, uma a uma as bolhas se rompem, a ultima? Era a menor delas e rompeu-se em pasma incandescente, meio assim, fosforescente, ainda esta tarde.


Nada mais vou esperar ou procurar, assim digo, deixe estar.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Mormaço: Carnaval, Sobe e desce ladeira

Como num samba as coisas vão indo de ladeira em ladeira, sobe desce morro, vira dobra esquina e num pelejo dos andantes sempre esbarramos em qualquer canto, no lugar onde você deve chagar num desejo de você ate encontrar, sobre e desce ladeira, caso ocorra um lajedo sombreado o sol sempre vindo amenizar nossa cuca, sobe desce ladeira, num pelejo dos andantes, sempre tem uma boca, pra arrepiar num toque só, escorrega um molhado bom, e num segundo a mais do olhar se desfazer na multidão, e sobe e desce ladeira, sol batendo na nuca e no final do dia encontrar no carnaval a mina, e levar pra um sobe e desce ladeira, num estrondo entrar, ver as cortinas se abrir nas línguas, brincar com a perversão da temporada, o corpo mastigar, quente como asfalto os lábios se tocar ate sufocar e lembrar que tudo foi de um encontro casual, sobe e desce cladeira, quanto mais quero mais, ate perco a voz em quere pedir mais, me derreto em suor só pra você, entre gemidos e o mormaço que espalha o ventilador, quero mais quanto mais quero, em meus sentidos apurados ardente lábios como o asfalto, e sobe desce ladeira, como uma morada boa estou quente em você, de saia rodada vejo tu partir, mesmo depois de te adular um tiquinho pro meu, querendo qualquer coisa que te guarde aqui, mas hoje você me deixou, quer dizer, hoje você me deixou de novo, mas isso é sentimento que nunca se estraga, o que quer que tenha tido não se estragou, mesmo numa noite quente como essa, sobe desce ladeira, o tempo todo vi você querendo olhar pra mim, como uma mensagem pra eu te querer, e eu não consigo me controlar, tenho um demônio na carne, te vejo usar os dedos pra provocar sensações proibidas, a cortina se abre e é o fim, quarta-feira ingrata chega tão depressa que num dar nem pra aproveitar, sobe e desce ladeira, o que fica é a saudade de ouvir o estalo do meu canhão, lembro de sua unha em minha carne, dentro e fora de você, alem da minha língua abrindo as cortinas, ativando os calafrios sentindo tua pele febrilmente esquentar, e nas ultimas de um certo bacalhau mais uma vez sobe e desce ladeira, espero no mormaço do ano que vem denovo te encontrar ardente e quente como o asfalto.