terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Pelos Muros




Somos sempre tão ocupados com nossa rotina e cotidianidade que quase sempre não percebemos o que esta a nossa volta, carros vem e vão, ônibus lotado trafegando em uma competitividade urbana caótica, pessoas a caminhar em uma debandada frenética e aparentemente sem sentido lógico, e assim quase sempre não paramos pra pensar no sentido das coisas que nos cerca, calçadas, becos, esquinas, casas, prédios, cercas, vivas ou mortas, muros, os muros.

Pelos Muros” podemos dissecar sentidos tão orgânicos quanto a própria vida que trafega em nosso ramerrão, passamos tanto tempo na face de dentro que não vemos nem percebemos a vida, o movimento, os sinais, as cores, as mensagens e tudo o que poderíamos perceber na face de fora dos muros. Paremos diante de um muro qualquer: se branco, que sentimento te passa, se escuro, que sentido lhe vem, se colorido que lembrança te cerca, muro branco é muro mudo, mas não morto, das mãos de mestres da arte urbana, como Robert Banksy, Barquiat, e tantos outros, tão mais próximos a gente, assim como os muros, que nem percebemos, como Galo, Derlon, Caju, os Gêmeos que de suas mãos, e de várias e várias outras mãos, dão a esse muros vida, movimento, expressão, fala, ganham uma dialética única, passam e movimentar-se por nossas vidas como mensageiros, que lhe fala sem som e lhe trás sentimentos sem toque, cada um com uma personalidade característica, com seu traço e sotaque singular concedida quase que divinamente por seus criadores, e estão ali para serem ouvidos, sentidos, observados, acompanhado, e nem sempre paramos para tal, Basquiat outro dia disse “...É como se passassem etiquetas dos preços coladas à cabeça. As pessoas deviam viver a vida de forma mais espiritual, pá..." É essa gigantesca etiquetagem social de nossos crânios que nos faz correr tanto em busca de uma valorização de nosso preços na etiqueta, e nos faz alienar-se quase sempre aponto de não vermos o que nos cerca, e perceber a vida que circula a nossa volta, o movimento e o som em tudo que existente, em tudo, ate em algo aparentemente não inerte como um muro.


Está sendo gravado este mês um curta documentário dirigido pelo cineasta e diretor Igor de Lyra, “Pelos Muros”, que expressa muito melhor o que quero dizer, onde os muros são protagonistas e falam, e andam, e ganham vida das mãos de seus mestre, muros que cercam mas se expressão, se comunicam, visto de uma forma como você que vive dentro nunca viu, vendo de fora pra dentro, o curta se passa na cidade de Recife e Olinda, e mostrará inúmeros muros que cruzamos diariamente e não nos damos conta que eles gritam, dançam, pulam e querem ter sua expressão notada e sua mensagem passada, então paremos.

O curta conta ainda com a participação na trilha sonora dos músicos Paulinho Nunes (Júlia Say’s) e Tonlin Cheng (Coral de Merluza), a estréia ainda não esta programada, mas será divulgada aqui no blog assim que confirmada, em breve postaremos uma matéria sobre a gravação deste curta documentário assim como uma entrevista exclusiva com o cineasta e diretor Igor Lyra.

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